segunda-feira, 11 de novembro de 2013

La Librairie Portugaise & Brésilienne

domingo, 10 de novembro de 2013

Uma grande oportunidade!...

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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Ouverture de nouvelles classes pour apprendre le Portugais du Brésil



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    Débutant le vendredi de 19h à 21h.
    Débutant le samedi de 14h à 16h.

    Les inscriptions sont ouvertes— em http://www.biaobresil.com/cours-de-portugais-pour-particuliers/cours-en-petit-groupe/

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Entrem em contato!

Prezados compatriotas,
Já saiu a segunda edição do livro "Gramática Ativa 1 - versão brasileira. Publicado em Lisboa pela editora LIDEL (lidel@lidel.pt). Um livro ideal para crianças,adolescentes e adultos que querem aprender o português do Brasil. Para mais informações sobre a obra, visitem o portalwww.association-biao.com ou a página facebook "Gramática Ativa 1 - versão brasileira. O livro n°2 sairá em novembro na mesma editora. Cordialmente. Prof. Lamartine Bião Oberg

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O Brasil é o país homenageado na Feira do Livro alemã


Feira do Livro de Frankfurt – Brasil é o país homenageado

Da Agência EFE, da Rede Brasil Atual e da Deutsche Welle (Alemanha)
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A maior feira literária do mundo, a Feira de Livros de Frankfurt (ou Francoforte), foi aberta no dia 8 de outubro com o Brasil como país convidado de honra, com direito a pavilhão próprio e uma exposição especial.
A feira é gigantesca. Abriga vários pavilhões, cada um deles podendo conter facilmente uma Bienal do Livro do Rio de Janeiro ou de São Paulo. É uma feira voltada especialmente para o mercado editorial. As atividades, com mesas de debate, seminários, sobre uma variedade enorme de temas, começaram na quarta-feira, dia 9. Até o dia 10 de outubro, compareceram apenas escritores – cerca de mais de mil autores –, editores, livreiros e agentes literários – além da mídia.
Somente no sábado e no domingo, dias 12 e 13, a feira é aberta ao público. Paga-se ingresso (17 euros para um adulto). Espera-se no fim de semana a presença de 250 a 300 mil visitantes aos 7.300 expositores vindos de aproximadamente cem países, dispostos a apresentar novos títulos na capital financeira da Alemanha.
Mais de 7.300 expositores estão presentes na Feira do Livro de Frankfurt – o Brasil é o país homenageado na 65ª. edição da Feira do Livro alemã.
 
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A abertura foi concorridíssima, com o auditório enorme completamente lotado. Houve os discursos protocolares de boas vindas, pelo presidente da Associação de Editores e Livreiros da Alemanha, Gottfried Honnefelder; pelo diretor da Feira de Frankfurt, Jürgen Boos; pelo prefeito de Frankfurt, Peter Feldmann; e pelo ministro-presidente do Estado alemão de Hesse, Volker Bouffier.
Um dos temas muito debatidos da feira deste ano foi o destino do livro na era digital e virtual. Ninguém chegou a falar no aparentemente utópico “fim do livro”, mas sim nas grandes mudanças que o novo contexto digital traz para a escrita, a edição e a distribuição de livros, e também para o próprio gesto da leitura.
Outro tema privilegiado nesta edição do evento é a situação da infância e da juventude, não apenas em relação à leitura e aos livros, mas também frente aos desafios da violência, da guerra e do desemprego.
Luiz Rufatto: discurso-denúncia crítico em Frankfurt, encerrado com a crença no “papel transformador da literatura”.
 
–– Escritor critica desigualdade social e educação no Brasil ––
Na cerimônia de inauguração da Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha), da qual o Brasil é convidado de honra, o escritor Luiz Rufatto, em um discurso-denúncia, criticou o sistema educacional e o autoritarismo da história recente do país e disse que era difícil acabar com a divisão entre pobres e ricos.
Segundo Rufatto – que representou o grupo de escritores brasileiros convidados –, um em cada três brasileiros tem dificuldades para ler e entender textos simples e as elites “aproveitam a ignorância para assegurar seu poder”.
O autor brasileiro assinalou algumas melhoras em nosso país nos últimos anos, mas deixou claro que elas ainda não são suficientes para dizer-se que o país tenha “dobrado a esquina”, deixando para trás aqueles problemas. Centrou seu discurso na necessidade de reconhecer-se a “alteridade” sem abafá-la, e na necessidade de encarar a literatura como capaz de mudar os seres humanos, e portanto a sociedade.
“No país inteiro há somente uma livraria para cada 63 mil habitantes”, afirmou, destacando em seguida o “papel transformador da literatura”, que disse motivá-lo a escrever. Foi muito aplaudido ao final.
–– Ana Maria Machado: “Não venham procurar exotismo no Brasil” ––
A presidenta da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado, discursou em seguida, ressaltando a diversidade da cultura brasileira, e a dificuldade do Brasil em ser reconhecido como um “país também literário, de livros”, para além das imagens estereotipadas de selva, praias, futebol e Carnaval.
Ana Maria Machado deixou no ar o convite para que o público descubra a diversidade brasileira através do contato com a literatura “plural, múltipla e diversa, em que os regionalismos eventuais se esgueiram pelas frestas de um cosmopolitismo inesperado”. “Não venham procurar o exotismo e o pitoresco”, advertiu.
–– Guido Westerwelle: metas em comum nas Nações Unidas ––
Pelo governo alemão, falou o ministro de Assuntos Exteriores da República Federal da Alemanha, Guido Westerwelle. Deu a nota política do encontro. Falou também sobre a riqueza da literatura e da cultura brasileiras e elogiou o empenho de Rufatto. “A presença de tantos autores brasileiros aqui na cerimônia de abertura é uma prova do valor dado à cultura pelos brasileiros. E a cultura nos une”, disse Westerwelle. “O Brasil é um peso-pesado no setor cultural.”
O ministro alemão ressaltou que os contatos Brasil-Alemanha devem ir além dos apenas econômicos ou diplomáticos. Em sua fala, destacou a necessidade de as instituições políticas internacionais de hoje se adequarem ao presente, e deixarem de ser apenas reflexos do passado – no que parece ser uma alusão indireta ao empenho tanto alemão quanto brasileiro pela reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Elogiou o discurso da presidenta brasileira Dilma Rousseff na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas – ocorrido no dia 24 de setembro – pedindo um novo marco regulatório das atividades da Internet, e ressaltou que este também é o interesse da Alemanha. Assinalou que nem tudo o que é tecnicamente possível no espaço virtual é necessariamente legítimo, em alusão às táticas de espionagem denunciadas recentemente por Edward Snowden e Glenn Greenwald.
Da esq. para a dir.: o vice-presidente do Brasil, Michel Temer; o ministro-presidente do Estado alemão de Hesse, Volker Bouffier; e o ministro dos Assuntos Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle.
 
–– Confissão poética, vaias, caipirinha e pão de queijo ––
Encerrou a abertura o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, que evocou o 25º. aniversário da Constituição brasileira, que restaurou a democracia e o Estado de Direito no Brasil. E ressaltou as conquistas sociais e educacionais de programas como o Bolsa-Família, o Programa Universidade para Todos e outros do governo brasileiro.
O vice-presidente brasileiro deu um toque pessoal ao fim, falando que devia o hábito da leitura à sua professora primária em São Paulo, e que, apesar de jurista de formação, publicou recentemente um livro de poemas que, “se não recebeu elogios, também não recebeu críticas”.
Quando Michel Temer terminou seu discurso, um grupo pequeno de brasileiros, sentados ao fundo, ensaiou uma vaia – o que fez parecer um eco das grandes manifestações populares ocorridas no Brasil a partir de junho deste ano.
No pavilhão do Brasil em Frankfurt, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, discursou em clima de festa, ao som de música brasileira, regada a pão de queijo e caipirinha. “A feira traz apenas uma amostra de nossa maior riqueza: a cultura”, disse.
–– Gasto estatal brasileiro para a Feira de Frankfurt ––
Da esq. para a dir.: o diretor da Feira de Frankfurt, Jürgen Boos, e o presidente da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, Renato Lessa.
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Para o Projeto Frankfurt, que abarca a Feira do Livro e a programação artística brasileira paralela ao evento, foram investidos 18,8 milhões de reais (6,37 milhões de euros) do governo do Brasil, através do Ministério da Cultura, do Ministério das Relações Exteriores – o Itamaraty –, da Câmara Brasileira de Livros e da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Renato Lessa, que assumiu a presidência da Biblioteca Nacional em 2013, critica o modelo de financiamento atual para a Feira alemã, com somente fundos governamentais.
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“Vale o investimento na imagem do país, mas acho que o gasto pode ser mais bem distribuído, porque também é uma Feira de negócios, comercial. Temos um setor privado de editores muito robusto e acho que, no futuro, devemos adotar um modelo compartilhado entre Estado e setor privado.”
–– Brasil: país convidado de honra da 65ª Feira do Livro de Frankfurt ––
Renato Lessa destacou a Feira de Frankfurt como uma oportunidade de promover a cultura brasileira, mas disse que deve haver uma continuidade de políticas públicas nesse sentido, como o programa de bolsas para a tradução de autores brasileiros da Biblioteca Nacional e parcerias com museus.
Com 2.500 metros quadrados, o pavilhão foi concebido por Daniela Thomas e Felipe Tassara e construído todo em papel, com paredes sinuosas em homenagem a Oscar Niemeyer e aos demais grandes artistas do modernismo brasileiro. O objetivo do espaço é de mostrar um Brasil moderno e contemporâneo.
“Acho que se tem muito o estereótipo de que o Brasil é o país do samba, do futebol, é uma selva. Temos tudo isso sim, mas temos mais. Temos nossa arquitetura moderna, nossa contemporaneidade, nossa inventividade. O pavilhão e a programação tentam mostrar a produção contemporânea para além dos clichês”, afirmou o curador e coordenador do Projeto Frankfurt 2013, Antônio Martinelli.  :::
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• Feira do Livro de Frankfurt – República Federal da Alemanha (em alemão):
<http://www.buchmesse.de/ >
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–– Extraído da Agência EFE, da Rede Brasil Atual e da Deutsche Welle (Alemanha) ––

domingo, 14 de julho de 2013

Nova Gramática Ativa 1 - 2a. edição

Prezados compatriotas,
Já saiu a segunda edição do livro "Gramática Ativa 1 - versão brasileira com 3 CD's. Editado em Lisboa pela editora LIDEL (lidel@lidel.pt). Um livro ideal para crianças,adolescentes e adultos que querem aprender o Português do Brasil. Para mais informações sobre a obra,vistem a página facebook "Gramática Ativa 1 - versão brasileira" ou o sitewww.association-biao.com" A association BIAO está doando livros e filmes da sua bibliotaca e mediateca. Favor escrever para Lamartine Bião Oberg (lamartinebiao@live.fr) Obrigado de antemão pela atenção. Prof. Lamartine Bião Oberg

sábado, 13 de abril de 2013

Como diz o poeta Ferreira Goulart: "A vida é uma invenção"...


Retrato do Brasil: “A construção do mensalão”
Publicado em 11-Abr-2013
Recomendo a todos a leitura da edição especial de 24 páginas da revista Retrato do Brasil que chegou às bancas nesta semana. A manchete diz tudo: “A construção do mensalão”. No subtítulo: “Como o Supremo Tribunal Federal, sob o comando do ministro Joaquim Barbosa, deu vida à invenção de Roberto Jefferson”. A publicação é do respeitado jornalista Raimundo Pereira.

Coloco aqui um resumo do que a revista, em um minucioso e longo trabalho de reportagem, publica. As reportagens derrubam, entre outras coisas, a tese de que houve desvio de dinheiro público no apontado esquema.

Logo na introdução, a Retrato diz que “o problema dos juízes foi que eles não se preocuparam em primeiramente provar a existência do crimes para depois procurar as ligações dos culpados com o crime já então devidamente caracterizado. É por essa razão que, a nosso ver, se fez um tipo de justiça que faz lembrar os tempos medievais”, numa referência à caça às “bruxas”.

A revista lembra que, segundo Roberto Jefferson, o mensalão foi um esquema de compra de deputados. “A Procuradoria Geral da República e a maioria do STF, apoiadas numa verdadeira campanha de perseguição contra os chamados mensaleiros, movida praticamente por todos os maiores jornais e redes de televisão do País, no fundo consagrou a tese de Jefferson e, com base em indícios – fraquíssimos como mostraremos – de que os empréstimos não existiam, disse que o dinheiro veio de recursos desviados do Banco do Brasil e da Câmara dos Deputados por um esquema cujo comando estava na própria Casa Civil da Presidência da República”.

Logo, esses desvios são as vigas mestras da tese do mensalão, acrescenta o texto. Mas esses desvios não existiram, como mostra a Retrato.

Image  A tese do desvio no BB

A revista aborda detalhadamente a denúncia de que o BB teria sido usado para abastecer o “valerioduto”. A DNA, agência de publicidade de Valério, tinha contrato com o Banco do Brasil.

Essa história foi levada adiante mesmo sendo totalmente infundada, frisa a publicação.

“No próprio BB surgiu uma investigação que iria fornecer indícios de que os trabalhos da DNA para o BB, feitos por meio do Fundo de Incentivos Visanet (FIV), na gestão de Pizzolato, no valor total de R$ 73,8 milhões, poderiam não ter sido realizados”.

O FIV é uma criação da Visanet para promover os cartões Visa por meio da publicidade. Faz parte da associação com mais de 20 bancos no Brasil, sendo o principal o Bradesco e o segundo o Banco do Brasil.

 “Essa investigação, feita por 20 técnicos do BB ao longo de quatro meses, foi uma extensa auditoria sobre a forma de operação do FIV. Seus resultados só foram divulgados formalmente em novembro de 2005, mas parte deles foi vazada para a imprensa muitas vezes antes, para alimentar o escândalo.” Foi aí que se criou a versão do desvio.

A Retrato conta que a auditoria feita no BB foi depois completada nos anos seguintes a pedido do STF, da Procuradoria Geral e dos advogados dos réus. Ela está em 108 apensos da AP 470. A revista tem todos elesem seu site . São mais de 20 mil páginas.

Auditoria

Um dos critérios básicos da auditoria foi tentar verificar se a execução dos serviços do FIV pela empresa DNA, a mando do BB, estava de acordo com as normas de operação do banco para a veiculação da publicidade que era paga diretamente pelo seu orçamento.

Mas os auditores tinham todas as informações à mão para saber que esse não era o procedimento do BB para autorizar esse tipo de gasto. As autorizações de gastos eram emitidas por um funcionário especialmente designado pelo BB junto à Visanet. Essa pessoa não era Henrique Pizzolato, que dirigia o marketing do BB na época da denúncia.

Além disso, por decisão tomada no governo FHC, não havia um contrato formal entre BB e Visanet para a operação desses recursos. Não havia também um contrato formal entre a Visanet e a DNA para essas operações.

Isso porque uma das estratégias da Visanet é colocar bancos rivais entre si a serviço da venda de seus cartões, para estimular a emissão de cartões. Cada banco desenvolvia suas estratégias para vender mais cartões. Isso incluía uma relação de publicidade mais frouxa entre Visanet, bancos e agências. E funcionou: o BB se tornou líder no faturamento de cartões de crédito entre os bancos associados à Visanet.

Os auditores também procuraram documentos onde esses documentos não estavam. Notas fiscais, faturas e recibos da DNA e de fornecedores que teriam feito para ela as ações de incentivo autorizadas pelo BB foram buscadas no próprio Banco do Brasil, onde elas não estavam. Logo, os auditores encontram “fragilidades” entre 2001 e 2004, com falta total ou parcial de documentos.

Mas ao procurarem os mesmo documentos na Visanet, eles os encontraram, atestando a regularidade. Porém isso mal foi divulgado no noticiário.

Ou seja, as “fragilidades” foram transformadas em desvio público na versão predominantemente divulgada.

As provas do trabalho prestado

A revista diz que o argumento dos ministros para condenar com base em indícios, e não provas, era a grande dificuldade de obter as provas materiais do delito porque se tratava de gente muito poderosa.

“No caso, o argumento não tinha qualquer fundamento. Henrique Pizzolato, o acusado de ter desviado dinheiro do BB, se demitiu imediatamente após ser acusado. Os projetos para uso dos recursos do FIV, de onde os 73,8 milhões de reais teriam sumido, eram todos, se realizados, de enorme exposição pública. Se não realizados, era praticamente impossível inventar que eles tinham existido e desviar o dinheiro de sua suposta realização. Nos autos do processo, estão 99 notas numeradas do BB que correspondem aos 73,8 milhões de reais gastos com as promoções para a venda dos cartões de bandeira Visa do Banco do Brasil usando os recursos colocados à disposição do banco pelo FIV. Milhares, dezenas de milhares, milhões de pessoas viram essas promoções”.

A Retrato do Brasil cita algumas dessas promoções. Entre elas, estão os 26,3 milhões de reais em mídia de aeroportos, shoppings e exterior urbano. São anúncios em TVs, painéis, corredores de aeroportos, relógios de hora etc. Todos anúncios de ampla visibilidade.

O  mesmo pode ser dito dos 19,9 milhões de reais em marketing cultural, incluindo patrocínios de eventos, festas, shows etc, todos comprovadamente realizados. Ou os R$ 18,8 milhões em marketing de venda dos cartões via televisão, jornais e revistas, incluindo propagandas da Ourocard na Rede Globo de Televisão. Além de 4,3 milhões de reais em campanhas de marketing esportivo, no qual está o patrocínio de atletas como as campeãs mundiais de voôlei de praia Shelda e Adriana, que exibiam para todo o país, nas transmissões de TV, as marcas Visa e BB. Impossível negar tal exposição.

A revista ainda dá muitos outros exemplos. E pergunta: “Se o dinheiro das promoções Visanet  do BB tivesse sido desviado, qual seria um lugar provável no qual eles teriam ido parar? Na Rede Globo de Televisão, é claro”.

A Retrato mostra três dos inúmeros recibos localizados pela reportagem nos autos da AP 470, “que provam que a Rede Globo de Televisão foi uma das grandes beneficiadas com as ações de promoção do cartões da bandeira Visa do Banco, realizadas com os recursos dos Fundo de Incentivos Visanet, que o STF concluiu terem sido desviados. Os recibos mostram três depósitos da empresa DNA, de Marcos Valério, uma de 113,6 mil reais, outro de 277 mil e outro de 1,04 milhão de reais, em números arredondados, realizados no ano de 2004, nas contas da Globo. A conclusão só não está certa porque o STF errou. O desvio de dinheiro do BB não existiu.

Mais provas

E mais: a Visanet – que repassou os R$ 73,8 milhões para os gastos realizados pela DNA para o BB vender os cartões de marca Visa – elaborou para a Receita Federal um documento no qual diz ter todos os comprovantes da realização dessas atividades.

“Além disso, se tivessem realizado o julgamento de acordo com os princípios básicos  do direito penal, os quais exigem, primeiro, a prova de que o crime existiu, os juízes teriam toda a facilidade para ver que o dinheiro do fundo Visanet tinha sido gasto efetivamente em publicidade – e que, portanto, não existia o desvio, não existia a viga mestre da tese do mensalão.”

“E é revelador também constatar que a grande mídia não teve o interesse de ver, por exemplo, o grande faturamento publicitário de empresas como a TV Globo com essas promoções.”

Tese do desvio da Câmara

A revista também conta como foi construída a tese de desvio na Câmara dos Deputados. O ex-presidente da Casa João Paulo Cunha foi acusado de receber propina da SMP&B em troca de benefícios à agência de publicidade, que venceu uma licitação para prestar serviços à Câmara.

Em 2005, após a denúncia, a Câmara encomendou ao Tribunal de Contas da União (TCU) uma auditoria nas condições de licitação e na execução do contrato com a SMP&B. O então presidente da Casa, Severino Cavalcanti, pediu a auditoria ao TCU e uma outra a um auxiliar, Alexis Souza, indicado para chefiar a Secretaria de Controle Interno (Secin) da Câmara. Souza nunca chegou a tomar posse oficialmente do cargo, mas fez um primeiro relatório em dois meses de investigação e um segundo um mês depois.

É nesses documentos, feitos solitariamente por Alexis, que trazem a versão de que a SMP&B não fez quase nada do estipulado e terceirizou 99,9% dos trabalhos. Isso serviu de base para dizer que a agência de Valério recebeu o dinheiro e o desviaram. As conclusões foram repassadas à equipe de inspeção da Terceira Secretaria de Controle Externo do TCU, que replicou a mesma tese.

No entanto, as investigações na Câmara e no TCU continuaram por quatro anos. Esses órgãos, em decisão colegiada, absolveram completamente João Paulo Cunha. Mesmo assim, o ministro Joaquim Barbosa se valeu dos documentos produzidos por Alexis e pela Terceira Secretaria como se fossem resultado de decisões plenárias da Câmara e do TCU.


Flexibilizações

A revista ainda traz diversos outros pontos importantíssimos para entender como foi feito o julgamento e o que levou às condenações sem provas, incluindo a flexibilização de direitos e garantias. Ainda vou tratar do resumo dessa parte aqui no blog, mas reforço a recomendação para que todos leiam a revista na íntegra. Ela já está nas bancas.